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Sobre meias e palavras


Sobre tudo, nada mais tenho a dizer. Se me olhar nos olhos vai poder enxergar a linha, tênue, frouxa, entre o desalento e o irremediável. Sobre as páginas borradas, entrelinhas desenhando delírios em forma de confissões, paranóias aceleradas. Os anos passam por entre os dedos, a caneta rola por entre os lábios. Mais um verão em que escrevo para me manter vivo. Tormenta após tormenta, as palavras não são as mesmas, os propósitos tampouco. A proposito e sem propósito, de propósito fingimos entender. Ou todo o inverso ínfimo do que (não) foi dito. Escrevo para matar. Não quero fazer sentido. Não sou escritor, não sou poeta. Como uma criança lançando palavras ao vento, espalho areia sobre o mar.  Escrevo para não esquecer. Apenas perdoe meus neologismos e desaforismos, minhas entrelinhas, e toda a metalinguagem. Deixo o verão pra mais tarde, e até lá vou me desdobrando ao entorno. Gravado a esmo.

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